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Infinitivismo: O novo Gerundismo

27 de agosto de 2009

Não sei quanto a vocês, mas toda vez que paro numa loja para comprar alguma coisa, sempre pergunto ao vendedor se há um produto específico. Ele olha para um lado, pro outro, pergunta a outro vendedor, que pergunta ao gerente. Até que ele anda em minha direção e manda a inexorável frase:

- Não vamos ter, senhor.

A primeira vez que eu ouvi essa frase, eu achei muito estranho. Por que o mentecapto está me dizendo que não vai ter? Isso é expressão futura, logo, tem!

Aí o inocente que vos fala continuou a conversa?

- Tudo bem, pode trazer.

- Senhor, não vamos ter.

- Eu entendi que não vai ter. Por isso estou me apressando em comprar talvez o último exemplar do CD. Vamos, diga-me onde está, por favor.

- (Alterando a voz) Senhor, nós não vamos ter!

- Chama o gerente, que quem tá puto agora sou eu!

(gerente chamado)

- Boa tarde, senhor, em que posso ajudá-lo?

- Boa tarde. O seu vendedor está dizendo que não vai ter o CD. Segundo o que eu entendi, o que “não vai ter” é que está para acabar, logo existe o CD. Portanto, eu quero comprar o CD.

- Ah, essa maldita expressão… Ele quis dizer que acabou, mesmo.

- Eu não acredito! Criaram o Infinitivismo!

- Infini o quê?

- Deixa pra lá. Obrigado pela ajuda.

Nota para os curiosos: o CD que eu estava procurando é Bacamarte – Depois do Fim. Mas isso é outro post.

Pois é, expressões como “não vou ter”, “não vai existir” tomaram as ruas e o comércio de várias cidades. O Infinitivismo virou o novo Gerundismo, herança de treinamentos malfadados de telemarketing vindos dos Estados Unidos. Gostaria de saber qual a origem do Infinitismo, recém-chegado ao rol dos vícios de linguagem e expressão, como o Com Certeza, o Fala Sério, Tipo Assim, o Pra Mim Fazer (essa é triste!), Quer que eu Pego, Menas Coisas (ai, meu ciático), entre tantos outros sacrilégios à língua portuguesa que chega a doer quando bate nos ouvidos.

Eu me pergunto se depois dessa “moda”, haverá uma outra. Será que depois de destruir o Gerúndio e o Infinitivo, irão destruir o Particípio e gerar o Participionismo?

Bem, como dizem por aí, “eu não vou ter essa resposta agora, mas quando eu for ter, vou estar postando aqui”.

Thiago Machado sentiu dores agudas no cérebro ao escrever tanta coisa errada.

6 Comentários leave one →
  1. 27 de agosto de 2009 3:53 AM

    Realmente … já tinha notado isso … que mundinho é esse em que falar “bonito”é sinônimo de inteligência … afe!

  2. 27 de agosto de 2009 1:07 PM

    Relançaram o “Depois do Fim” esse ano, Saraiva Megastore “vai ter”.

    Outro que merece ser relançado e ouvido é o Moto Contínuo, banda do Guilherme Arantes que flertava no progressivo tb…

    • edi.fortini Link Permanente
      28 de agosto de 2009 12:36 AM

      Não conhecia a banda. Conhecerei.
      Hoje, entre os “modernos”, a expressão que mais odeio é “suave”, que possui o complemento “suave na nave”. Triste. =/

  3. 28 de agosto de 2009 12:22 PM

    O problema não é usar, mas não entender que está falando outra coisa. Onde vamos chegar!

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