Letras Convidadas: Novela – Dose Diária de Segurança

2009 Novembro 7

Mais uma vez, convido Karen Benzecry a partilhar seus pensamentos na Adega.

Volto a dizer para os raros e preciosos leitores, quem tiver vontade para partilhar suas impressões aqui no blog, podem mandar seus textos.

Abraços a todos!

Agora, o texto da Karen:

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A maioria dos meus amigos é meio intelectual e desdenha de novelas. Eu sou uma noveleira de carteirinha, crachá e cartão de ponto. Acho até que posso dizer que dependo de novelas para conseguir me conectar com a realidade (e eu entendo o quanto é absurdo dizer que dependo de uma obra de ficção para me conectar com a realidade). Vou tentar explicar melhor o meu ponto de vista.

Desde meados do século XX, o universo engatou a quinta marcha e saiu atropelando todas as nossas certezas. Na virada do século passado, o sujeito já nascia com um script: se era filho de rico, viraria um bom vivant, com direito a todas as mordomias (e mordomos) possíveis; se era filho de agricultor, trabalharia na roça e teria uns quinze filhos (cinco dos quais talvez sobrevivessem); se era mulher, casaria, pariria trocentos filhos e cuidaria da família. As pessoas herdavam propriedades, ofícios e até a fé de seus pais. O certo e o errado eram tão fáceis de distinguir quanto o preto do branco. Liberdade era só um conceito sem muito significado e muito menos implicações práticas para a maioria da população.

Hoje tudo mudou, após horas de trabalho de parto, a mãe pega seu rebento no colo e sabe que não é politicamente correto sonhar com netos, pois é preciso levar em consideração que o filho poder ter orientação homossexual (ou, como dizia meu professor de introdução à psicanálise, “homo eroticamente orientado”).

O número de profissões foi elevado à décima nona potência. Meninos e meninas de 16 anos são pressionados a escolher uma entre as 300 mil profissões disponíveis sem sequer ter trabalhado por ao menos um dia na vida (isso, claro, da classe média pra cima).

O papel dos homens e mulheres, que era tão rígido no passado, hoje está tão flexível que nos sentimos perdidos. Dá vontade de sentar no chão e rezar por uma luz, um mapa, qualquer coisa que nos mostre o caminho, os limites… Tem gente que sente até saudade dos casamentos arranjados.

No meio de todas essas escolhas, possibilidades e mudanças, só há uma coisa que não muda: a novela das 8. Ela está sempre ali, imutável, sólida, sem me dar nenhum poder de escolha ou responsabilidade, e, ainda por cima, com final feliz!

PS: Esse texto foi feito durante o acidente que deixou a Luciana tetraplégica na novela Viver a Vida

Proselitismos: Orgulho e Preconceito

2009 Outubro 25

Após tantos safanões, discussões, vivências, experiências e muito pensar, eu consegui chegar a uma das mais polêmicas e improváveis comparações que eu já fiz em vida. Religiosos, fanáticos por times de futebol, panteões de partidos políticos, filósofos e homossexuais possuem algo que os fazem dar as mãos e cantar We Are the World: o Proselitismo.

Antes que comecem a jogar pedras e me processarem, isso se refere a ALGUNS representantes desses segmentos sociais, não dando espaço a uma generalização idiota.

Todo mundo já passou por essa situação enervante. Você está numa roda de conversa e um dos Três Assuntos Intocáveis – Religião, Política e Futebol – torna-se pauta e se dá início a uma acalorada discussão. Até aí, nada demais, pois é saudável beber outras fontes de conhecimento para ampliar horizontes. O problema é quando vem a frase maldita:

- Deixa o catolicismo de lado e venha ao nosso templo Presbiteriano.

- Você deveria se filiar ao PT agora mesmo.

- Sou corinthiano e que se foda o resto!

E aí surge o desrespeito pela escolha da pessoa. Em nome de um ideal, as pessoas farejam, caçam e lançam a lança dentada, fria e larga na mente de outros. A caça não é para se alimentar, mas sim para garantir a supremacia de suas ideias, tais quais as tribos da Pedra Lascada faziam quando o medo tomava seus corpos. Os métodos mudam, os conflitos permanecem.

Da mesma forma que um flamenguista se dá o direito de agir feito um símio descontrolado a jogar a cadeira no chão e vituperar na frente de pessoas idosas que se incomodam com esse comportamento e achar que é normal só porque seu time está ganhando, um evangélico (ou ateu, ou cientista cético, o resultado é o mesmo) ataca, humilha e persegue com tochas e forcados uma pessoa só porque escolheu o Paganismo, Zoroastrismo, ou qualquer outra religião. Falando nisso, há um fato que está ocorrendo pelas ruas e em festas noturnas: O Proselitismo Homossexual.

É irônico e engraçado. Os gays foram perseguidos, rechaçados e exilados ao longo da história por líderes religiosos, políticos e porta-estandartes dos bons costumes (leia-se madames de meia idade, carolas de igrejas católicas e templos evangélicos mal comidas que aproveitam o tempo sexual pendente e o sublima em passeatas pela moral, família e Deus). Merecidamente, os homossexuais conquistaram direitos e uma relativa aceitação pela sociedade. O reverso da medalha, contudo, é intrigante: alguns passaram a furar seu espaço de segurança e tentam a “conversão” de sua pessoa, alegando que, com uma mãozinha (boba?), o maior dos machões pode se tornar uma crisálida esvoaçante, que todos nascem gays e precisam ser convertidos. Quer dizer que eu não tenho direito nem a ser heterossexual? Que troca de papéis é essa? Desde quando escolha sexual virou religião ou time de futebol?

Independente dessas vertentes, o Proselitismo possui três origens:

A Sobrevivência: O ser humano possui instinto de sobrevivência. Para tanto, quanto mais pessoas estão em seu grupo, mais chances terá de sobreviver e manter-se vivo através de seus genes. A mesma coisa ocorre com as ideias que, como um código de DNA, precisam de seguidores se o portador das mesmas quiser que sejam mantidas.

O Revanchismo: Se um ser humano passa por uma injustiça, mesmo que esta cesse e ele tenha seu merecido retorno, ele deseja a vingança, ele deseja a mesma punição ao grupo outrora dominante. O julgado se torna juiz e o juiz se torna o julgado.

O Desejo de Supremacia: Este é o mais repulsivo. A pessoa, por vontade, deseja impor às pessoas suas crenças e suas verdades, mesmo as de caráter demagógico, de forma bruta e cruel. Esse anseio sadomasoquista de dominação não passa de um engodo para manter sua fragilidade típica de amante de schoppenhauer sob disfarce, ou simplesmente é um viciado em jogos sociais.

Pode parecer clichê, mas a palavra de ordem é tolerância. Não apenas para ampliar nossos horizontes com novas ideias ou criar novas amizades e novos contatos, mas pelo simples direito de deixar as pessoas escolherem. Ser irredutível e condenar os outros só por não aceitar o que você acredita não é o certo. Certo é deixar a pose de verdade absoluta e aceitar outras visões sobre a vida. Certo é se resolver como uma ser humano próspero, completo e não vampirizar os outros que sejam. Certo é manter a mente aberta e, mesmo não deixando de defender seus pontos de vista, oferecer o respeito sempre.

Letras Convidadas: Repúdio à Revista Nova

2009 Outubro 8

Há pessoas que anseiam por chances de participar de um projeto interessante: integrante de banda, um novo conceito de produto-serviço, até participar de blog.

Como eu não concebo negar uma chance à pessoas que querem mostrar empenho, peguei uma cadeira e a ofereci à Karen Esther Benzecry para iniciar um projeto por aqui. Gostei do que eu li e espero que vocês também gostem.

Thiago Machado

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Repúdio à Revista Nova

Karen Esther Benzecry

Como uma mulher razoavelmente bem-sucedida profissionalmente e extremamente feliz sexualmente, fico totalmente chocada cada vez que vejo a capa da revista Nova. Ela sempre mostra mulheres maravilhosas com seios semi-descobertos, maquiagem exagerada, cabelo “mamãe-passei-o-dia-no-salão” e milhões de alterações no photoshop. Junto com essa foto de mulher irreal, metade da capa é dedicada a técnicas sexuais, quarenta porcento a materiais sobre moda e beleza que prometem uma beleza igual a da felizarda da capa e dez porcento a questões pessoais, financeiras e profissionais.

É muito triste ver toda uma geração de mulheres jovens moldando-se (ou tentando moldar-se) por esses critérios: sexo como busca de autoafirmação, aparência como algo que as define para os outros e o trabalho como mais uma fonte de autoafirmação, e, obviamente dinheiro para financiar academia, tratamentos estéticos, cabeleireiros, roupas e baladas que tornam uma pessoa “alguém de verdade” nesse meio.

Uma vez não resisti à curiosidade e comprei uma que prometia não sei quantas dezenas de maneiras de melhorar a minha vida sexual. Foi absoluta e totalmente hilário: era algo do tipo “coloque o seu dedo a 3,5 cm exatos de tal lugar em um ângulo de 45º graus e faça uma leve pressão girando primeiro no sentido horário por três vezes e depois no sentido anti-horário”.  Sinceramente, parecia mais que estava aprendendo um novo poonse (o “kata” do tae kwon do) do que fazendo sexo.

Gostaria de levantar uma bandeira aqui: a das mulheres de verdade que desejam preencher sua vida (profissional, social, familiar e sexual) com alegria, e não padrões predeterminados. Elas existem e os homens parecem ser cegos a elas. Gostaria de convidar os as mulheres a olharem para dentro e não para fora em busca de um ideal de evolução e os homens a abrir os olhos e ignorar as expectativas predeterminadas de sucesso, beleza e diversão.

Da Candidatura e do Povo Cândido

2009 Outubro 2

Leitura obrigatória:

Rio 2016: Explicação do Logo e Opiniões

Mucama

Zerovinteum

Tribunal de Contas da União

ESPN Brasil: Rio 2016 não é uma questão Regional

Bem, só tenho a adicionar:

Se formos esmiuçar a questão, NENHUMA cidade brasileira tem condições de sediar as Olimpíadas. Se mal podem gerir seus problemas internos, ainda mais um evento de grandeza internacional.

Se fossem em qualquer cidade brasileira, existiriam outros problemas de ordens variadas. O que o PAÍS INTEIRO não enxerga, ou não quer enxergar, são as verdadeiras prioridades para a sociedade, seja por incompetência ou manutenção do Status Quo. Enquanto isso, vendemos o país como uma prostituta sifilítica em estado terminal para qualquer titulozinho.

Vale a pena ter conquistado isso? Vai valer a pena pagar para entrar na história esportiva mundial? O que acredito que irá ocorrer é uma reprise do PAN de 2007: um espetáculo para os ricos alimentado pela negação do lado pobre do Rio de Janeiro, uma infraestrutura efêmera e desajustada para tempos futuros. Sem contar os projetos que seriam novas fontes de renda (como a Vila Olímpica que poderia ser um excelente Hotel-Museu), mas que se tornaram uma vaga lembrança da orgia atlética outrora ocorrida.

Enquanto isso, o povo, em plena Copacabana, inocentemente festeja, banqueteia-se e se fodem numa espécie de desabafo à negação do Rio em 2004.

A Ponte Pulverizada – Resposta a Christiano Palmezan

2009 Setembro 30

Recentemente eu li o post de Chris Palmezan em seu blog Sobre o Tempo, que tem como característica colocar nomes de músicas em suas postagens. Entre elas, falando que a culpa da miséria musical da atualizade tem como responsável a década de 1990. Eis o meu direito de resposta.

A década de 90 não foi o buraco negro. Pelo contrário. Foi nessa época que o movimento grunge veio avassalador através de bandas como Nirvana, Pearl Jam, Meat Puppets e soundgarden, enquanto a comunicação visual dadaísta, porém dinâmica da MTV revolucionava a televisão. O Pop é o inimigo? Mentira! Madonna e Michael Jackson são excelentes referências musicais até hoje. Verdade que eles falharam: ela por experimentalismos em demasia e ele por se afastar do mundo e não conseguir mais referências para suas músicas, além de suas excentricidades. Se não fossem por eles, não existiria hoje o fenômeno Lady Gaga e The Black Eye Peas. Pop? Sim, mas o que é Pop? Só porque caiu no gosto do público? Se fosse assim, o Metallica seria o vendido da história com o Black Albumn. Não confunda popular com popularesco.

Chico Science e Nação Zumbi surgiram nos anos 1990 e também revolucionaram a música num amálgama de rock, hip-hop, maracatu e pop. Titãs fez o Titanomaquia que antecedeu o próprio movimento Grunge, tendo seu valor tardiamente reconhecido. 1990 foi uma década cultural perdida? Não. Perdida foi uma geração que se deixou levar por empresários que idolatram o dinheiro e são catedráticos na Indústria Cultural. As bandas atuais preferem fazer as emices que a rádio e seus managers corrompidos pedem, em vez de sair por aí fazendo shows com o pé na estrada e se valendo de seu talento (que hoje em dia, é mínimo).

Posso dizer mais: desde a década de 60 que se fala que o Rock n´Roll morreu. Ele não morreu, ele está tal qual as sociedades secretas, em seu canto, produzindo suas músicas em garagens, lares e mostrando-as em My Spaces e  shows alternativos. Em contrapartida, o gado bípede prefere as músicas do momento que falam de um amor tão lancinante quanto a própria vida, porque cá estão carentes, sem perspectiva, sem uma filosofia libertadora.

No final, a arte é uma espécie de Zeitgeist. Ela que explana o pensamento, os desejos e as angústias da sociedade de uma época. Se as músicas são medíocres, é porque vivemos numa época medíocre, com pessoas e ídolos medíocres. Mediocriade essa que, infelizmente, tornou-se parte de todos nós quando a engolimos feito pílula sem água. A maldita pastilha não dissolveu e reclamamos todas vez que a sentimos balançar no estômago, sem nada fazer.

Respeito com alguns valores do  passado? Fodam-se! A desobediência está em nossa natureza e é isso que devemos seguir. Pega o passado como base e embasamento cultural e o estupre da melhor forma possível para criarmos o verdadeiro novo e, assim, sodomizarmos essa época politicamente correta, nefasta e enojante.

Discos que Marcam: Bacamarte – Depois do Fim

2009 Setembro 19

Preâmbulo

Certa vez, estava num barzinho chamado Lone Star com um casal de amigos meus, meu amigo-algoz-crítico-mais-ferrenho, minha querida e um camarada muito gente boa. Estávamos a conversar quando o nome de Jane Duboc foi falado. Por não a conhecer, esse amigo-algoz fez uma caridade e tocou uma das músicas dela em seu celular. O timbre dela é único e é, de longe, uma das vozes mais lindas que eu já ouvi. Depois ele me sugeriu o disco Bacamarte – Depois do Fim. Tentei baixar na internet para ver se eu gostava. Como as conexões estavam horrorosas, não consegui. Tempos depois, durante minha jornada que esbarrou várias vezes no infinitivismo de comerciantes, eu vi o CD supracitado em uma das estantes da Livraria Cultura… Claro que eu comprei e mais óbvio ainda que não deixei de ouvir por um segundo sequer.

Bacamarte – Depois do Fim

bacamarte

Poucos discos nacionais acertaram em cheio meu espírito sedento por criações culturais sinceras, o que eu costumo chamar de “Arte criada com as vísceras”. Discos como Da Lama ao Caos do Chico Science e Nação Zumbi, Racional de Tim Maia, Chega de Saudade de João Gilberto, os dois primeiros discos dos Secos e Molhados são alguns exemplos do que estou falando. Depois do Fim de Bacamarte entrou neste seleto rol.

O estilo do som é rock progressivo e muito bem construído. O disco segue a tendência de discos temáticos (ou álbuns conceituais) e, como o próprio nome diz, a história relata sobre os últimos dias até a chegada do “Apocalipse”. A beleza do disco, além de ter revelado a própria Jane Duboc, é que a história é contada de modo sugestivo entre músicas instrumentais e cantadas, poucos momentos são explícitos ao contar a história como a música Depois do Fim. Isso gera inúmeras interpretações e enriquece a obra. Tão rico e tão coeso o álbum é que a ilustração da capa é diretamente relacionada à última estrofe da música-título.

Tentei saber mais sobre a obra. Procurei qualquer contato com o Mário Neto, o cabeça da banda, mas ele é uma pessoa totalmente reclusa. o que se sabe sobre ele é que, em 1999, lançou o disco Sete Cidades sob o nome Bacamarte. Ainda não ouvi, mas dizem que é muito bom (cacete, senti-me o Silvio Santos agora), não melhor do que o Depois do Fim, mas é muito bom.

Uma grande pesar foi quando tentei contatar a Jane Duboc. Mandei um e-mail, mas não tive retorno dela sobre o disco e a época que ele foi lançado. Acredito que houvera um desentendimento entre eles, pois o disco repercutiu muito bem, fazendo sucesso desde o Circo Voador e na extinta Rádio Fluminense até na Europa e Japão, sendo considerado um dos melhores discos de rock progressivo da história. Quem tiver mais informações sobre isso, eu agradeceria e muito.

No final, Depois do Fim não é apenas um excelente disco de rock progressivo, é uma experiência completa de inserção de um universo pré-pós-apocalíptico. A mensagem de que o final de um ciclo é necessário para a ascensão do novo é permeada nos poucos e maravilhosos minutos do álbum. Pode ser um disco triste e até sombrio, mas, assim como The Dark Side of the Moon do Pink Floyd, é um disco animador e provedor de uma esperança pueril, mas contagiante. O Bacamarte deu apenas dois tiros, mas foram dois dos melhores tiros musicais na história da música brasileira. Sem dúvida, um disco que não deve ser baixado, pois merece estar em nossas estantes.

Sugestão do Velho Machado: Blog do Quase Famoso

2009 Setembro 16

Quando você mantém um blog, é natural que conheçamos outros blogueiros interessantes, independente de seus interesses e de suas motivações. Isso promove troca de ideias e amplia nossa percepção de mundo ou apenas diversão.

E por falar em diversão, eis uma sugestão da carta de vinhos da Adega do Machado: O Blog do Quase Famoso.

Imaginem um músico portador de um violão Tonante, que anseia em ter uma guitarra da mesma marca, imaginou? Agora pense no visual mais escrachado e derrotado possível, graças às inúmeras doses de Cynar e noitadas decadentes. É.. Esse mesmo. Esse mentecapto escreve e desenha sobre suas divertidas frustrações em seu blog.

Se você é músico, vai se divertir com as desventuras musicais. Se você tá ferrado de grana, vai se identificar com o saldo negativo do anti-herói. Se você é desenhista, vai se inspirar nos traços toscos assumidos de suas tiras. Se você é feia e tem suvaco cabeludo, há esperanças para você.

Quase Famoso, agora tu me deves uma garrafa de Cynar.

11 de Setembro: A Farsa e o Controle

2009 Setembro 11

Já é a segunda ou terceira vez que escrevo sobre esse dia. Mas, desta vez, será sob uma ótica conspiratória e, para alguns, cria demérito aos que supostamente foram os realizadores de tal feito. A única coisa que desejo é a discussão de pontos de vista e inflamar as conversas de mesa de bar.

Bem, vamos começar por uma memória cinematográfica. Em 1988, foi lançado o filme Rambo III. Nele, o Coronel Trautman (Richard Creena) fora sequestrado pelos soviéticos no Afeganistão. Coube a John Rambo dar cabo dessa empreitada junto com um grupo de afegãos intitulados Mujahideen. No final do filme, há uma mensagem singela e amigável:

Esse filme é dedicado ao bravo povo do Afeganistão.

Lembram, não lembram? Pois bem, tirando os personagens de Dave Morrell, o conflito realmente existiu. Após o final da guerra, o país se tornou em uma plantação de Papoula para criação de ópio com o apoio dos EUA. Vendo que a putaria tava difícil de aguentar, o Taliban apareceu em cena e pôs fim à fuzarca. Não estou defendendo os extremistas, já como eles destruíram grandes monumentos de várias religiões antigas, mas tenho de admitir que, sobre o ópio, eles foram muito eficientes.

Com o prejuízo do ópio, os EUA queriam e muito invadir o Afeganistão e acabar com a onda desse grupo xiita. Eles precisavam de uma razão. A papelada estava na mesa de George W. Bush para ser aprovada, mas faltava uma razão. Curiosamente, no dia 11 de setembro de 2001, eles conseguiram o motivo. Coincidência? Eu posso dizer que não existe tal coisa.

Mesmo com várias simulações de ataque que envolviam aviões civis, mesmo com toda a infra-estrutura bélica e sistema de defesa, o WTC fora botado abaixo. Curioso como tudo ocorreu de forma tão fácil.

Também há o fato de que uma terceira torre (a Torre Sete), que não fora atingida por avião algum, foi destruída. Como se não bastassem essas coisas, a forma como as torres caíram foi muito estranho… Foi como se fossem implodidas. Mesmo com dois aviões cheios de querosene e carne humana não seriam o suficiente para destruir arranha-céus que foram projetados para serem MUITO resistentes. Interessante também é o estado em que o aço estava após o atentado, como se tivesse sido cortado. Só uma coisa pode cortar aço como se fosse manteiga: Termita. Para adicionar, o subproduto de termita são cinzas. O que vimos naquele 11/09, mesmo?

Pois é, veio a onda anti-terrorista e desceram a lenha no Taliban de Osama Bin Laden. Após a invasão, sabem o que aconteceu com o Afeganistão? Voltou a ser um belo campo florido com papoulas para a fabricação de ópio, mais ou menos 90% da produção mundial.

Nos EUA, o medo tomou conta da sociedade. Gado controlado, o dono faz a festa. Neste caso, os grandes grupos financeiros como JP Morgan, Rothschild, Rockefeller, entre outros, fizeram a festa. Ora, todos nós sabemos que o dinheiro não existe. Para existir dinheiro, é necessária uma coisa chamada dívida. Portanto, dinheiro é dívida. Quando um governo precisa de grana, ele contata o Banco Central que fabrica dinheiro do nada e transforma isso em dívida para o governo. Em outras palavras, somos escravos que achamos ser livres ao comprar um apartamento, quitar nossas contas e termos trabalhos que limitam nossa criação e, muitas vezes, nossos intelectos. Os únicos que lucram com esse tipo de coisa são os supracitados grupos financeiros.

Aí você, caro amigo de mesa da adega, pergunta a seguinte coisa: O que o 11 de Setembro tem a ver com grupos financeiros? Ora, Tudo. A partir do momento que uma sociedade aceita um sistema baseado na aquisição de lucro, aceita também a exploração, as desigualdades e tudo que possa contribuir para a eclosão de uma guerra.

A partir do momento que o lucro cair por terra como foco e criarmos um sistema baseado nos recursos tecnológicos, a humanidade viverá o melhor desenvolvimento de sua breve história. Com recursos, teremos tudo e não continuaremos nessa escravidão velada. Utópico, muitos dirão. Mas é possível e há iniciativas baseadas nesse ideal e isto é ótimo. Melhor deixarmos de lado a filosofia de que a inteligência só existe na dor, infelicidade e no sofrimento e começarmos, mesmo que aos poucos, mudar nosso estado atual.

Agradecimentos a Marcelo Del Debbio e ao Movimento Zeitgeist

Infinitivismo: O novo Gerundismo

2009 Agosto 27

Não sei quanto a vocês, mas toda vez que paro numa loja para comprar alguma coisa, sempre pergunto ao vendedor se há um produto específico. Ele olha para um lado, pro outro, pergunta a outro vendedor, que pergunta ao gerente. Até que ele anda em minha direção e manda a inexorável frase:

- Não vamos ter, senhor.

A primeira vez que eu ouvi essa frase, eu achei muito estranho. Por que o mentecapto está me dizendo que não vai ter? Isso é expressão futura, logo, tem!

Aí o inocente que vos fala continuou a conversa?

- Tudo bem, pode trazer.

- Senhor, não vamos ter.

- Eu entendi que não vai ter. Por isso estou me apressando em comprar talvez o último exemplar do CD. Vamos, diga-me onde está, por favor.

- (Alterando a voz) Senhor, nós não vamos ter!

- Chama o gerente, que quem tá puto agora sou eu!

(gerente chamado)

- Boa tarde, senhor, em que posso ajudá-lo?

- Boa tarde. O seu vendedor está dizendo que não vai ter o CD. Segundo o que eu entendi, o que “não vai ter” é que está para acabar, logo existe o CD. Portanto, eu quero comprar o CD.

- Ah, essa maldita expressão… Ele quis dizer que acabou, mesmo.

- Eu não acredito! Criaram o Infinitivismo!

- Infini o quê?

- Deixa pra lá. Obrigado pela ajuda.

Nota para os curiosos: o CD que eu estava procurando é Bacamarte – Depois do Fim. Mas isso é outro post.

Pois é, expressões como “não vou ter”, “não vai existir” tomaram as ruas e o comércio de várias cidades. O Infinitivismo virou o novo Gerundismo, herança de treinamentos malfadados de telemarketing vindos dos Estados Unidos. Gostaria de saber qual a origem do Infinitismo, recém-chegado ao rol dos vícios de linguagem e expressão, como o Com Certeza, o Fala Sério, Tipo Assim, o Pra Mim Fazer (essa é triste!), Quer que eu Pego, Menas Coisas (ai, meu ciático), entre tantos outros sacrilégios à língua portuguesa que chega a doer quando bate nos ouvidos.

Eu me pergunto se depois dessa “moda”, haverá uma outra. Será que depois de destruir o Gerúndio e o Infinitivo, irão destruir o Particípio e gerar o Participionismo?

Bem, como dizem por aí, “eu não vou ter essa resposta agora, mas quando eu for ter, vou estar postando aqui”.

Thiago Machado sentiu dores agudas no cérebro ao escrever tanta coisa errada.

A Xenofobia que está ligada à Cerca

2009 Agosto 22

Eu estava em uma comemoração na casa de um casal de grandes amigos meus e, como é costume em terras paulistanas, varamos a madrugada bebendo, cantando e jogando Wii… Claro que meus ombros doeram devido ao esforço repetitivo dos socos, rebatidas e sacadas virtuais. Porém, essa dor tornou-se pequena comparada ao ouvir um camarada bêbado até os olhos a cantar essa estrofe:

Não quero ver mais essa gente feia
Não quero ver mais os ignorantes
Eu quero ver gente da minha terra
Eu quero ver gente do meu sangue

Esse trecho é da música Pobre Paulista, do Ira. Sempre achei o Nasi um canastrão e o Scandurra um chato. Virtuoso e talentoso, mas um chato de galocha. Contudo, eu percebi nessa canção a semente xenófoba que já ouvi declamada em várias bocas em conversas de bar, em almoços de despedida e nos bate-papos pelas ruas.

Esses nordestinos que tiram emprego das pessoas daqui… Odeio eles.
Fora todos que não são paulistanos!!!
Esses caipiras com suas heranças oligárquicas. Roubam todo o carvão da Grande Locomotiva do País e voltam para suas terras rotas e pretéritas.

Grande parte das pessoas não pensam assim, mas são opiniões que flutuam no ar, sempre cheias de  veneno voraz pela morte de gente que só quer sobreviver e crescer. Nordestinos são uma praga em Sampa? Discordo, eles que montaram a cidade, eles que deram a “sustança” e assumiram postos que muita gente da cidade nega e faz pouco caso. não, não são praga, são as mitocôndrias desse complexo organismo tão rico e diversificado.

Mas a origem desse conflito bairrista não está na seca e na falta de chuva que é atribuída medievalmente aos santos, mas na cerca dos homens aditivados por poder onde o coronelismo ainda se faz presente ora em comícios e favores miseráveis, ora no cano de um trabuco. Não vou citar nomes, posto que é de domínio público. O que é mais triste é que os culpados estão em nossos próprios espelhos. Fomos nós que botamos a corja para nos governar, somos nós que escolhemos pensar mais em nossas vidas, pois somos escravizados por um sistema financeiro que nunca fabricou dinheiro, e sim dívidas. Somos nós que criamos nossas próprias cercas psicológicas e, pela facilidade, colocamos a culpa nas pessoas que possuem os problemas que nós mesmos geramos.

Esse pensamento bairrista já deveria ser extinto há eras. Prefiro pensar que sou um cidadão brasileiro, não o utópico positivista que porta o estandarte do ufanismo, mas o ciente dos problemas nacionais e que deseja mudar o Status Quo. A pessoa que sabe que todos estamos ligados num inconsciente e até o consciente coletivo e que qualquer ação minha irá refletir na ação de outrem.

E continuo não gostando de Ira!