Da Casca Protéica à Mácula obsessora
“Como?” Pergunta o cientista a olhar para uma casca protéica em forma de espaçonave cujo único tripulante é um arremedo de ácido que se multiplica e devora uma bactéria até que rompa sua membrana, dando origem assim a um dos nascimentos mais profanos? Um Biophage-PA, um pirata-reprodutor que estupra a bactéria e deixa filhos que nunca desejou ter. Será que em algum momento ela pensou em abortar, ou não fez por represália da sociedade bacteriana? Talvez pelo Padre-bactéria ela tenha se acatado seu destino resolutamente.
Contudo, a sociedade bacteriana tenha se ofendido pelo fato simplesmente de falar “aborto” e invocar a “Santidade da Vida”. A Bactéria currada, grávida de múltiplos, entrou na espiral do silêncio e se fechou para os outros. Em estado terminal, começou a pensar sobre como a sociedade, que ela também ajudou a criar através de bipartições, clonagens naturais, pôde lhe dar os pseudópodos traseiros, se eles assim soubessem quais são os traseiros. Abandonada, uma pária. Sozinha. Tão sozinha quanto no momento em que aquela nave orgânica a atacou, silenciando-a para que ninguém ouvisse seus gritos, para que ninguém soubesse como é o urro de uma bactéria sendo currada e fecundada logo após. O que sairia dela? Ninguém se preocupou com isso e voltaram para seus umbigos… Ou algo parecido em sua fisiologia.
Algumas horas passaram, o que para bactérias, são como dias. A Bactéria Currada, vamos chamá-la de Pandora, ruminara toda sua frustração, abandono e raiva. Sociedade de unicelulares filhos da puta, ela pensou. Vieram com Dogmas, segredos e moralismos e banalizaram o que ocorreu comigo. Virou mais uma vítima do sistema. Soube que as pluricelulares fariam vigília para desejar o melhor pra ela, mas Pandora sabe como são esses organismos esnobes e que se acham mais evoluídos. Se dizem vegans não para salvar os animais, mas para se sentir bem com elas mesmas. Pluricelurares imbecis, egocêntricas, malditas representantes dos 1% Que sejam parasitadas. Parasitas… foi aí que ela teve a grande idéia.
Dez horas, todas se reúnem na praça principal da Placa de Petri. Ela sobe ao coreto, estufada, com uma aparência quase transparente e nefasta auxiliada por uma bengala. O prefeito, o bispo e o banqueiro olharam horrorizados, enquanto a massa bacteriana observava com horror e fascínio. O típico fascínio que nos domina ao vermos algo tão repugnante que se torna inviável desviar os olhos. Pandora se manifesta. “Vim aqui trazer meus agradecimentos pelo meu ostracismo temporário e exílio imposto para que suas hipocrisias pudessem estar saudáveis e bem alimentadas. Eu só vim aqui trazer todo o carinho que a Sociedade Bacteriana de Petri me ofereceu. Meus filhos renegados até por mim, brada a plenos pulmões, façam-me justiça! Seus pseudópodos rasgam a própria membrana e saem uma prole de Biophage-PA, sedentos, sexualmente hiperativos, machos-alpha loucos para um pouco de diversão. Obsessores orgânicos que pirateiam as membranas do povoado de Petri e ficam alucinados. Com a temperatura mais elevada a um nível excelente, o processo otimiza e se acelera, dando origem a uma devastação sem igual em Petri, tal qual os Godos e Mongóis em Roma. A devastação foi tamanha que a cidade de vidro rachou ao meio, morrendo todas as bactérias e, mais tarde, satisfeitos, os piratas apocalípticos entram em letargia e aguardam por uma nova era.
O cientista chega e só vê a placa de petri rachada ao meio. Ele foca o microscópio e só consegue falar uma frase que soaria impossível para um cientista: Foi bíblico. Enquanto isso, fora do laboratório, 10 km de distância e uns outros muitos de profundidade na costa, um vulcão marítimo começa a cuspir toda sua cólera escarlate, borbulhante e revolucionar a água salgada em direção a costa daquela região. A onda é imensa. Até que um Deus marítimo, ao lado de sua Esposa-Deusa, uma força da natureza, observa de baixo, de camarote, tomando a melhor cerveja que qualquer mortal ou imortal tenha tomado.
-Vai ser Épico! – Diz ele com um sorriso torto.
Contos Paulistanos: Ensaio sobre o Xaveco
Xaveco: s.masc. – cortejo contemporâneo, cantada, linguajar regional originário da cidade de São Paulo.
Um sábado qualquer, nada de novo. Reunião com um grande amigo de eras que estava acompanhado de sua digníssima em uma casa de rock/bebida numa noite levemente fria e chuvosa. Nada demais. Ele me apresenta sua amiga, segundo ele, brilhante, e seus tios gays. Como eu dissera… Nada de novo.
Com o tempo, o pessoal resolveu ir para caminhos diferentes. Claro que tinha meus caprichos e resolvi sair com a recém-conhecida amiga. Mais claro ainda é que os tios dela vieram juntos. Estava pagando pra ver o que aconteceria. Um dos tios resolveu colocar Madonna no rádio do carro e brincou de entrevistador comigo. Entrei na brincadeira inocente sem maiores riscos e fomos rindo até uma outra “balada” chamada D-Edge, próximo da estação Barra Funda.
Aos incautos que não conhecem a noite paulistana, D-Edge é uma noitada GLS e, aos que me perguntam por que raios eu fui numa noitada dessas, posso dizer que essas noitadas são mais divertidas do que as héteros em São Paulo. Ao menos, até então, era regra para mim.
Sabe quando você recebe uma voadora estilo Zangief no meio do peito? Essa era a sensação ao entrar na D-Edge. Os LED’s representando as barras de volumes eram as grandes atrações do local… Ah, os R$50 só pra entrar também. Engraçado como as pessoas amam se enganar e querem por que querem ver que o rei está usando a roupa invisível que só os mais espertos podem ver. Bem, voltemos ao conto.
Peguei minha dose de uísque caubói em meu ápice ébrio. Coragem líquida a descer pela minha jugular para tentar uma coisa com aquela mulher. Até ver que ela era lindamente esquisita perdida na miríade de seus próprios demônios. Era melhor ficar distante. Mal apareceu esse pensamento em minhas sinapses decepcionadas, surge um dos tios dela (o mesmo que me “entrevistou”. Conversamos sobre desde quando a conheço até que o papo tomou um rumo bem esquisito:
- Qual a tua mulher ideal? O que te atrai?
- Primeiro, mulher tem que ser inteligente. Não tenho medo desse tipo de mulher como os outros homens. Mulher pra mim tem que ser simpática, carinhosa, companheira, bonita, não ser ciumenta-maluca. Mas que tenha inteligência e saiba conversar, pois na velhice é a única coisa que resta.
- hahahhahaha. Mas diga, se você não encontrar essa mulher, você pensou em outra alternativa? – pergunta ele, numa tentativa insinuante. O olhar, assim como a linguagem corporal, mudou. Até mesmo o aroma saindo dele ficou diferente.
Silêncio de um segundo com o olhar gázeo.
- Sim, claro.
- É? E qual é? – fica animado
- Mulher burra de bunda bem feita. – Arrematei.
Silêncio que precedeu gargalhadas homéricas da parte dele. Após alguns minutos, eu surtei com o ambiente pesado da D-Edge e saí. Esperei até três da manhã para o metrô voltar a funcionar, pegar o ônibus e enfim, chegar em meu antigo covil. Mesmo com todo o desespero momentâneo e a decepção com o sexo oposto, eu só conseguia pensar em uma coisa: “saí de uma cantada de um gay like a boss”.
Como eu dissera, nada de novo.
DECOTE: Resultados do 3º Festival de Teatro Cidade de São Paulo
Mesmo esperando coisa alguma, conseguimos três indicações na premiação do 3º Festival de Teatro Cidade de São Paulo. Ficamos muito contentes com essa surpresa.
Para uma equipe que esteve junta por meses e por ainda não sermos atores profissionais, isso é um excelente resultado e foi um grande presente. Só temos a agradecer a quem acredita e nos apóia nesse novo sonho, ao Eduardo Marins por nos escolher dentre 203 companhias para participar desse evento e à Mestra Lívia Simardi por acreditar,ensinar-nos e mostrar que há um mundo que, mesmo sendo laborioso, é pleno e com um horizonte muito mais belo.
Avante Desbravadores, ainda temos muitas léguas a percorrer nesses mares bravios que nos aguardam!
1987: Um tal de Frederico que mudou minha vida
Em pleno ano do plano Bresser, era icônica, maldita e falida do então presidente José Sarney, eu estava curtindo os LP’s (para quem não sabe é isso aqui) de grandes clássicos infantis como Turma da Xuxa, Balão Mágico e Trem da Alegria. Sim, uma época de caverna platônica e ignorância pueril pura, até que meu progenitor, com seu bigode oitentista, veio com um álbum preto e vermelho com quatro camaradas bem distintos. O bigodudo, pelo que entendi na época, se chamava Frederico.
Foi uma porrada sonora no meio de meus seis anos de idade. Não entendia uma vírgula sequer de inglês na época (mal sabia ler, inclusive), mas aquele som e a energia vocal eram intensas, exageradas, teatrais beirando ao histrionismo… Mas belo, empolgante e incansável aos dutos auditivos.
-Poxa, esse tal de Frederico é bom, né?
-hehehhe, é. Você ainda não ouviu tudo deles.
Com o passar dos anos, fui mudando meu gosto musical, ganhando mais influências (uma delas eu já escrevi) e conseguindo mais fontes de material sonoro e visual. Até que eu consegui ver o primeiro VHS do Frederico e de seus amigos Rogério, João e o de nome difícil chamado Bráian. Aquilo é que era performance em show de verdade. Fiquei mesmerizado como o vocalista tinha a platéia na mão, mesmo ele não se levando a sério e com uma atuação que, às vezes, levava a uma vergonha alheia com aquela indumentária. Mas era incrível como era empolgante o show-espetáculo-ópera daquela banda, do carisma e da voz épicos (quase divinos, diria) de seu líder.
65 anos ele teria hoje em dia. 29 eu tenho e muitas bandas passaram por meus ouvidos, sendo que algumas delas sempre permanecem em minhas playlists. Uma delas é dele. Que os Deuses saúdam a Rainha!
Pra quem se interessa e/ou ainda não sabe (SEU MALUCO!) de quem estou falando, aqui segue o link de homenagem mais do que justa feita pelo Google ontem
Festival de Teatro Cidade de São Paulo: Decote com a Cia. de Teatro Desbravadores 28 (ATUALIZADO)
Sim, senhores! Agora é pra Valer!
A Cia. de Teatro Desbravadores 28 foi selecionada a participar do Festival de Teatro Cidade de São Paulo com a montagem Decote, escrito por Daniel Herz e Companhia de Teatro Atores de Laura, do Rio de Janeiro. A peça é uma adaptação de sete atos fechados baseados em pesquisas do universo e obra de Nelson Rodrigues, com direção de Lívia Simardi.
Eis o elenco da peça: Bruno Chagas, Daiane Novelli, Emerson Albernás, Guilherme Ieva, Jan Modesto, Laila Balganon, Luigi Paolo, Maria Sorgilene (convidada especial), Paulo Tenório, Rosana Vicente e Thiago Machado (olha eu aí!)
Os ingressos já estão sendo vendidos por R$ 15,00 até o dia 31 de agosto. Em setembro, passa a ser R$ 30,00. Então CORRA!
A apresentação ocorrerá no dia 15 de setembro, às 21h, no teatro União Cultural. O endereço é rua Mário Amaral, 209, Paraíso, São Paulo.
Informações e vendas é só entrar em contato com a produtora Vanessa Albernás pelo telefone (011) 9720-3012 ou pode ser comigo, mesmo!
Esperamos vocês lá!
ATUALIZAÇÃO
O segundo lote está à venda e continua pelo preço de R$15,00 pelas mãos da companhia. Agora se vocês quiserem pagar mais caro e correr o risco de perder o ingresso, podem comprar na bilheteria.
Série PARCERIAS: Trauma
Mais uma novidade.
Conheci um ilustrador muito bom chamado Gustavo Athayde (conhecido mundialmente como Gustha!). O baiano é gente boa pra caramba e muito talentoso. Conversa vai, conversa vem, e ele acabou me confessando que estava a procura de um roteirista para algumas tirinhas dele. Daí que o Gustha, bêbado, resolveu me escolher, mais bêbado ainda, para fazer o roteiro deste, espero, longevo projeto.
Sem mais delongas, eis a primeira tira da parceria (clique na imagem para aumentá-la):
Peça de Teatro DECOTE: Fotos
Antes de começar, peço perdão pelo longo silêncio. Muitas coisa estão acontecend e não dá pra colocar todas num post só. Portanto, como diria Jack o Estripador: Vamos por partes.
Primeiro, quero agradecer quem conseguiu ir à peça Decote e às pessoas que, mesmo não conseguindo, sempre me deram apoio por essa jornada maluca que estou fazendo junto com um bando de loucos e queridos vikings do grupo que se tornou a Companhia de Teatro Desbravadores 28. A peça foi um grande sucesso. Aqui estão as fotos da humilde e ousada estréia dos Desbravadores 28. Quando as edições estiverem prontas, colocarei aqui os vídeos.
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Estréia: Peça de Teatro DECOTE
Pois é, galera… Vou estrear nos palcos de São Paulo. Não esperem muita coisa, já como é de caráter acadêmico e estou ainda em processo de aprendizado. Para tanto, resolvi criar postais virtuais comemorativos sobre o evento. Infelizmente não deu pra convidar mais gente, já como é um evento fechado voltado para familiares, mas teremos vídeos da peça e, futuramente, eventos oficiais em espaços mais abertos.
Para quem não sabe, Decote é uma série de atos baseados nos textos de Nelson Rodrigues. Já viram no que vai dar, né? Bem, eis as artes dos cartões.
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E como dizem no teatro: MERDA!
Casamento Real: Por que só eu acho isso engraçado.
Eu juro que tentei entender essa celeuma sobre esse Casamento Real, mas achei uma perda de tempo e mais um produto de mídia que nos obriga a falar sobre esse acontecimento. Essa cobertura maciça da imprensa é ridícula, sem sentido e só desvia a nossa atenção com historinhas hollywoodianas de outras coisas mais importantes a serem resolvidas.
É muito esquisito a atração em massa na Inglaterra pela família Real e suas desventuras. Desde a fantasia de nazista do Príncipe Harry, infidelidade no caso Charles/Diana e, vejam vocês, um “deslize” de William que, bêbado, acabou apalpando os peitos de uma brasileira… Ah, sempre os brasileiros envolvidos em bagunça nas terras dos outros. Só falta dizer que ela é carioca.
Falando do príncipe Charles… Depois da sessão de cornos na Lady Di e de sua posterior morte, veio o matrimônio com a advinda do acidente de Chernobyl Camilla Parker-Bowles que virou duquesa da Cornualha… Piada pronta total.
Depois eles se conciliaram e tudo ficou bem na cidade do faz de conta. O que esperar da Inglaterra, afinal de contas, tirando o humor, a música e Winston Churchill? Um país cuja sociedade são emos em potencial com maneirismos afrescalhados, com o menor livro de receitas do mundo, uma capital que parece uma São Paulo que fala inglês e que criou o esporte mais democrático e popular do mundo… E eles só tem UM campeonato mundial e por erro de arbitragem.
Outra coisa que eu achei uma burrice absurda com a deturpação do sentido da palavra plebeu. Ah, Kate Middleton é plebéia… Plebeu sou eu!! Ela é aristocrata e de uma família com bastante dinheiro, graças à empresa voltada pra produção de artigos de festas. O motivo que esse casamento chamou tanta atenção é a porra da velha esperança e sonho das pessoas em terem vidas de príncipes e princesas. Por que isso me soa como papo de garota que, aos 15 anos, sonha em ter um pônei ou querer que seu primeiro beijo seja dado pelo Robert Pattinson? Acordem, porra!
E não adianta falar sobre patriotismo. “Ai, os ingleses são tão patriotas… eles amam a família Real”. Isso não é mostra nenhuma de patriotismo. Uma família inteira rica pra cacete, com certas vantagens, mas que são um símbolo antiquado de uma época onde poucos se proclamavam reis por serem representates de Deus. Ao menos, uma coisa que não acontece no Brasil é esse frisson sobre a “família real”. Mesmo porque, eles só demonstram interesse de revistas como Quem e Caras, outros disperdícios de celulose. Não é pra menos, D. Pedro I (conhecido como Pedrinho Mão de Martelo) foi um filho da puta centralizador que manteve o país unido na porrada. D. Pedro II (possível avatar de Odin, já como é semana de estréia de Thor nos cinemas) era um ser curioso por natureza e culto por excelência… Hoje, a “Princesa” Paola de Orleans e Bragança é uma “modelo”. E das mais esquisitas.
Voltado ao assunto da família real britânica, Sabe o que mudou deste casamento pro da Diana? Só a cobertura… Antes, havia só televisão. Hoje é TwitterFacebookOrkutBadooeoutrasmidiassociais e nada mais! Não é revolucionário, vai mudar em nada a vida das pessoas e a minha. Falando em mudança, qual será o nome real de Kate Middleton? Lady Kate?













