Piada Pronta: Da Cannabis ao tratamento de Alzheimer

2010 fevereiro 9
por O Velho Machado

Maconha é ineficaz contra mal de Alzheimer, mostra estudo

Ratos com gene humano da doença foram testados em laboratório.
Pesquisas anteriores diziam que droga agia contra o problema.

Comentário do Velho Machado:

E alguém tinha esperança de que ia funcionar? Até eu sabia que maconha afeta a… a… o que, mesmo? Era algo começando com a sílaba “me”… Meeeeeeee… Menarca. Deve ser isso!

Novo Projeto: Folk Lírico

2010 janeiro 14

Queridos e raros leitores,

Sou defensor da tese que uma pessoa não deve ficar atrelada apenas a uma escola de pensamento ou a um projeto. A mente precisa estar aberta para outras ideias e sempre buscar novos conhecimentos. Por isso, num conluio com meus amigos Márcio Agnelo (@marcinho do blog O Final de Tudo) e Erick “Tex” Teixeira (@ericktex do blog Aham), criamos um projeto com o intuito de explorarmos uma paixão em comum, que é o universo da música Folk. O corpo do projeto é o blog Folk Lírico.

Nós falaremos sobre origens, inspirações, a história, instrumentos, características, personalidades, até mesmo composições próprias e de quem mais estiver interessado em mostrar seu trabalho (claro, tem que ser material bom!). Peguem uma cadeira, um pedaço de grama ou de fumo pra mascar (não se esqueçam do vaso para cuspir), afinem seus violões e banjos e entrem neste universo!

Sugestão do Velho Machado : A Batalha do Apocalipse

2010 janeiro 1

Antes de tudo, queridos raros leitores, feliz ano novo gregoriano a todos!

No período entre setembro e dezembro, voltei a criar um hábito há muito deixado de lado devido às leituras técnicas sobre design, powerpoint e magia rúnica e xamânica: leitura não-técnica (Machado olhando de lado). Errr… Bem, voltando. Passei pelos onirismos de Sandman (o Livro dos Sonhos I em inglês, editado por Neil Gaiman), por conspirações (O Último Merovíngio, de Jim Hougan), por biografia (Nem Vem que Não Tem – Wilson Simonal, de Ricardo Alexandre), até que, finalmente, veio minha encomenda do livro A Batalha do Apocalipse de Eduardo Spohr.

Mas antes, vamos apresentar o Autor.

Sobre Eduardo Spohr:

Como ouvinte de Nerdcast, conheço (não pessoalmente, infelizmente) o Eduardo,até então, conhecido como “Vince Glotto”. Desde a primeira fala, ele mostrou que é um grande entusiasta, conhecedor e diletante/professor de mitologia, das filosofias inseridas nos mitos e estrutura e dinâmica literária. Filho de aviador como eu, ele teve a chance e o interesse de viajar para muitos lugares e aprender sobre costumes e culturas de outros povos. A partir destes antecedentes e o profundo gosto por história, ele passou a cursar Comunicação Social-Publicidade, mas passou a atuar na área de Jornalismo e, mais tarde, literatura.

Em literatura, ganhou seu primeiro prêmio em 2001 com o conto O Último Anjo. Conto esse que foi o embrião do épico A Batalha do Apocalipse.

Agora sim, voltamos à programação normal. Não vou falar sobre a sinopse do livro, mas sim das impressões que tanto a obra quanto o material impresso me passaram, assim como deixar algumas lacunas para que outros possam colaborar com a resenha.

Não há Spoilers

Do material impresso e veiculação

Só essa parte já é uma vitória. Se já é um trabalho alcídico criar uma editora (a Nerd BOOKS), imaginem publicar, pela segunda vez (eu acredito), um livro de um gênero de difícil sucesso – Fantasia – no Brasil, embora haja seus leitores fiéis. Isso é um esforço conjunto que merece aplausos em pleno vôo (em alusão aos anjos da história). Não só a ousadia é destacada, assim como a veiculação através do site Jovem Nerd e do Nerdstore, que possui o famoso Toque de Midas, que se baseou simplesmente no nicho de mercado para história: jovens que devoram produtos voltados à cultura fantástica como Guerra nas Estrelas. Highlander, Duna, entre tantas outras obras.

Não sei como foi a epopéia da primeira edição, mas como todo segundo passo para um universo mais amplo, sempre há deslizes normais que são suplantados com a prática e a experiência. Há muitos erros de digitação, acredito, por parte da revisão, mas nenhum que possa alterar todo o sentido da história e não se entender o sentido original e, uma grande falta sentida por mim, não há detalhes técnicos como fontes tipográficas (tamanho e estilo) usadas, tipo de folha utilizada para a composição gráfica. Mas, como eu disse, são deslizes que serão corrigidos e que não tiram o brilhantismo da obra.

Uma coisa que me chamou a atenção é que Eduardo Spohr utilizou o Português pré-Nova Regra. Eu achei muito interessante e defendo este tipo de iniciativa, embora eu não saiba o que o motivou a isso, se é a arbitrariedade ou a falta de sentido de existência da mesma. Mesmo assim, excelente escolha.

Da leitura de A Batalha do Apocalipse

A levada de A Batalha do Apocalipse (para os íntimos, ABdA) não é rápida, mas não deixa de ser instigante. É um meio termo entre a densidade de O Senhor dos Anéis e a leveza de O Código da Vinci. O que é uma grande sacada, devido à quantidade de informações, dos famosos easter eggs e fontes utilizadas pelo escritor. É um livro que merece ser lido várias vezes para pegar as sutilezas da história e dos personagens.

O ritmo é não-linear, mas não é uma explosão de cabeça de caráter intelectual como Cidade dos Sonhos de David Lynch ou de deboche como Pulp Fiction de Quentin Tarantino. ABdA é mais para Vanilla Sky e Estômago a misturar as linearidades do presente e do passado em alternância, o que deixa a leitura interessante, sem maiores complicações para o público leigo.

O estilo usado também remete aos contos épicos com o uso de comparações poéticas e adjetivos levemente eruditos. Confesso que, em algumas partes, faltou uma forma mais arcaica nos diálogos para deixar o leitor mais inserido no contexto e na época que os diálogos foram travados. Mas, ainda assim, deixa a leitura muito mais dinâmica.

Da Mitologia, Mente aberta e a Jornada do Herói

Confesso que foi difícil, a princípio, ter a iniciativa em ler sobre a escatologia monoteísta (hebraico-cristão-muçulmano). Mas a sacada de Spohr em unir as informações dos mitos sobre Babel, a Queda de Lúcifer com a evolução criativa (no sentido do caminhar, não de aumento de perícias e poder) dos personagens do autor fazem uma história muito rica, sem deixar de mencionar Deuses Pagãos, criaturas mitológicas e até o próprio conceito de Deus, que foi a decisão mais ousada e que eu mais gostei. Não vou falar em que ele se baseou para não dar spoilers e perder o encanto da aventura da leitura.

Percebi também as inúmeras inspirações do autor para criar o livro. Há claras homenagens à arte do Mangá e dos Comics em certas passagens do livro, assim como há um pouco do conceito de filmes como Guerra nas Estrelas, Anjos Rebeldes, O Conde de Monte Cristo (assim como o livro de Alexandre Dumas). Isso contribui para a riqueza e também para o lastro cultural, que facilita a aceitação do mesmo, tal qual um idioma. Exemplificando, por que o Esperanto não foi tão aceito pelo mundo como idioma mundial? Porque foi uma língua fabricada, não houve um longo processo histórico de adaptações e até deturpações por parte da sociedade.

Mas, vale ressaltar que a história não é sobre religião. Acima de tudo, é uma história sobre orgulho, honra, justiça e amor. Ablon é um querubim renegado que busca o isolamento, mas o destino reserva um outro caminho, bem mais atuante. Todo herói nasce a partir do momento em que ele tem o círculo de segurança tocado ou destruído. Seja com parentes mortos, uma doença grave ou até mesmo a desejo de enveredar por novos desafios. Ser herói é superar o marasmo e sua condição inconfortável, motivados por sentimentos puros e nobres, como justiça e o amor. Essa é uma das grandes lições de ABdA e é o que faz do livro um outro divisor de águas em minha vida. Parabéns, Eduardo Spohr.

Este post não é patrocinado pelo Jovem Nerd. :-)

O Autor Desmascarado: Vinte e oito Invernos ou uma Retrospectiva de um ano Peculiar

2009 dezembro 31
por O Velho Machado

Ah, 2009. Ano do Brasil pelo mundo. Olimpíadas conquistadas, Copa do Mundo, efeitos reduzidíssimos da Grande Crise, Lula eleito o homem do ano, Livres do FMI há mais de anos… Então por que que eu não sinto essa mesma euforia?

Ídolos morreram, pessoas queridas quase pereceram mais de uma vez, antigos bons exemplos pervertidos pela estagnada visão de vida,não vejo evolução em minha linha profissional, a despeito de todo o meu esforço e suor… Seria esse um aviso de que eu tenho de mudar de área… Mais uma vez? Seria esse o aviso para mudar de vida em todos os aspectos?

2009 foi um ano extremamente agridoce. Dor, prazer, amor, raiva, decepção e esperança me acompanharam a todo tempo, toda hora. Será que todo o meu esforço em ser uma pessoa melhor não foi o bastante? Será que todo o conhecimento que apreendi com esforço, suor e sangue de nada valeu?

Ah, malditas dúvidas que me atormentam. Deveria jogar tudo pro alto, trilhar um caminho diferente… mas a esperança é um sentimento maldito quando não abrimos os olhos para perceber que nem tudo é mutável e nos prende até termos coragem para mudar e ter ciência de que nem tudo depende de nós.

Pois bem, feliz ano novo pra vocês e obrigado por sempre visitarem o blog.

Os Muppets: Como eles continuam me supreendendo

2009 novembro 28

Os Muppets, em versão Baby

Quando era mais novo (porque moleque eu sempre serei), eu adorava ver o desenho dos Muppet Babies na SBT. A interação do acetato com cenas de Guerra nas Estrelas e Michael J. Fox me fascinava na mesma forma que eu testemunhava a morte de Odete Roitmann em Vale Tudo e, após uma semana, veria a mesma (achando infantilmente que era) dando entrevista para Leda Nagle.

Incrível como, mesmo depois de velho, rabugento, contundente, incômodo e repulsivo, as criações de Jim Henson continuam a me fazer rir e admirado pela criatividade, ousadia e pelo humor simples, porém genial.

 

 

Uma prova disso, é o vídeo do Beaker (ou Jairo) interpretando Ode à Alegria de Ludwig Van Beethoven:

 

Após rolar de rir com esse vídeo (com qualidade HD, uia!), pensei que me impressionaria com mais nada sobre os Muppets…

… Até ver essa singela homenagem:

Na boa, os caras por trás dos Muppets são geniais… Não é à toa que, chefiados pelo Frank Oz, fizeram o Yoda em O Império Contra Ataca, que é muito mais vivo, intenso e verdadeiro do que essa fraude em versão digital da nova trilogia.

Manoel Carlos: A Fraude Bem-sucedida

2009 novembro 18

Demorou muito pra eu falar sobre esse pseudo autor de novelas. Na verdade, eu nem perderia meu tempo falando sobre isso, pois ele é uma piada pronta, nem preciso de muita criatividade para escrotizá-lo. Autores de verdade são Dias Gomes (in memorian) e Benedito Ruy Barbosa (em algumas novelas), mas não Manoel Carlos. Ele é uma fraude que caiu na graça do povo (assim como Paulo Coelho, Hans Donner, Thiago Machado… Não, ele não tem a graça do povo, aliás, graça nenhuma). Por quê? Porra, ele vem com os mesmos nomes, os mesmos acontecimentos. Quando muito, ele faz o favor de trocar o elenco… Quando ele está de bom humor.

Certa vez, falei com minha namorada sobre essa nova novela: “Você quer ver que alguém vai se acidentar ou pegar uma doença mortal e vai ser tratado por algum doutor Moretti?” Dito e feito, tá lá a Luciana tetraplégica e sendo tratada por um Dr. Moretti. Se forem parar pra pensar, a maior máfia existente no Leblon na área da Saúde é a da Família Moretti!!

Vou facilitar e mostrar uma série de gráficos para mostrar a “genialidade” do Maneco:

Isso porque não demonstrei que a trilha sonora que é sempre Bossa Nova, que sempre se passa no Leblon, entre várias outras constantes que já não possuem a mesma graça.

O que isso demonstra? Nenhuma novidade, criatividade, tampouco genialidade! Quero que façam minha cabeça explodir, quero consumir expressões artísticas, no mínimo, autênticas, não histórias surrupiadas de outras pessoas que acreditam fazer um grande negócio em oferecer suas histórias de vida nas televisões no Brasil que serão esquecidas quando vier a próxima novela. Um dos raros autores atuais que deram um fôlego maior à teledramaturgia nacional foi João Emanuel Carneiro com A Favorita. Roteiro com reviravoltas, diálogos inteligentíssimos e direção de atores impecável, com exceção de Cauã Reymond.

Bem, vou voltar a ler Sandman, que é a melhor coisa que eu faço.

Doses Rápidas – Superman? Cadê o Super-Homem?

2009 novembro 12

Já pararam pra pensar que muitos nomes adaptados para o português deixaram de existir? Não sou o purista imbecil do português, mas certas decisões são muito ridículas. Super-Homem se tornou Superman, Guerra nas Estrelas se tornou Star Wars, Super Massa passou a se chamar Play Doh por um tempo, Meu Querido Pônei passou a My Little Pony. Só falta acontecer o oposto, como o Menino Maluquinho se tornar Little Crazy Brat!

Qual o problema com os nomes em português? Eles não são fáceis de decorar, não são auto-explicativos? O que está acontecendo?!

A única explicação plausível (bondosa e, ainda assim, ridícula) a que chego é que, para evitar problemas com direitos autorais, ou até mesmo para internacionalizar a marca, alguns preferem manter o nome original.

Eu considero isso uma falta de capacidade de adaptação em outros povos. Se a marca Coca Cola torna-se  azul em Parintins por causa do Festival Boi-Bumbá, por que diabos Guerra nas Estrelas passou a ser Star Wars aqui no Brasil?

coca-cola em parintins

Coca-Cola - Adaptação cultural

Claro que há casos em que, em virtude da falta de termos apropriados, podemos usar estrangeirismos sem problemas, até que possamos adaptá-lo de alguma forma ao nosso idioma. A adaptação é a grande magia de nosso idioma, não essa imbecilidade de Nova Regra. Pro inferno com o Houaiss!!!
Eu continuarei a usar os nomes que eu aprendi a falar quando moleque e que se foda essa babaquice de manter o nome original.

Letras Convidadas: Novela – Dose Diária de Segurança

2009 novembro 7

Mais uma vez, convido Karen Benzecry a partilhar seus pensamentos na Adega.

Volto a dizer para os raros e preciosos leitores, quem tiver vontade para partilhar suas impressões aqui no blog, podem mandar seus textos.

Abraços a todos!

Agora, o texto da Karen:

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A maioria dos meus amigos é meio intelectual e desdenha de novelas. Eu sou uma noveleira de carteirinha, crachá e cartão de ponto. Acho até que posso dizer que dependo de novelas para conseguir me conectar com a realidade (e eu entendo o quanto é absurdo dizer que dependo de uma obra de ficção para me conectar com a realidade). Vou tentar explicar melhor o meu ponto de vista.

Desde meados do século XX, o universo engatou a quinta marcha e saiu atropelando todas as nossas certezas. Na virada do século passado, o sujeito já nascia com um script: se era filho de rico, viraria um bom vivant, com direito a todas as mordomias (e mordomos) possíveis; se era filho de agricultor, trabalharia na roça e teria uns quinze filhos (cinco dos quais talvez sobrevivessem); se era mulher, casaria, pariria trocentos filhos e cuidaria da família. As pessoas herdavam propriedades, ofícios e até a fé de seus pais. O certo e o errado eram tão fáceis de distinguir quanto o preto do branco. Liberdade era só um conceito sem muito significado e muito menos implicações práticas para a maioria da população.

Hoje tudo mudou, após horas de trabalho de parto, a mãe pega seu rebento no colo e sabe que não é politicamente correto sonhar com netos, pois é preciso levar em consideração que o filho poder ter orientação homossexual (ou, como dizia meu professor de introdução à psicanálise, “homo eroticamente orientado”).

O número de profissões foi elevado à décima nona potência. Meninos e meninas de 16 anos são pressionados a escolher uma entre as 300 mil profissões disponíveis sem sequer ter trabalhado por ao menos um dia na vida (isso, claro, da classe média pra cima).

O papel dos homens e mulheres, que era tão rígido no passado, hoje está tão flexível que nos sentimos perdidos. Dá vontade de sentar no chão e rezar por uma luz, um mapa, qualquer coisa que nos mostre o caminho, os limites… Tem gente que sente até saudade dos casamentos arranjados.

No meio de todas essas escolhas, possibilidades e mudanças, só há uma coisa que não muda: a novela das 8. Ela está sempre ali, imutável, sólida, sem me dar nenhum poder de escolha ou responsabilidade, e, ainda por cima, com final feliz!

PS: Esse texto foi feito durante o acidente que deixou a Luciana tetraplégica na novela Viver a Vida

Proselitismos: Orgulho e Preconceito

2009 outubro 25

Após tantos safanões, discussões, vivências, experiências e muito pensar, eu consegui chegar a uma das mais polêmicas e improváveis comparações que eu já fiz em vida. Religiosos, fanáticos por times de futebol, panteões de partidos políticos, filósofos e homossexuais possuem algo que os fazem dar as mãos e cantar We Are the World: o Proselitismo.

Antes que comecem a jogar pedras e me processarem, isso se refere a ALGUNS representantes desses segmentos sociais, não dando espaço a uma generalização idiota.

Todo mundo já passou por essa situação enervante. Você está numa roda de conversa e um dos Três Assuntos Intocáveis – Religião, Política e Futebol – torna-se pauta e se dá início a uma acalorada discussão. Até aí, nada demais, pois é saudável beber outras fontes de conhecimento para ampliar horizontes. O problema é quando vem a frase maldita:

- Deixa o catolicismo de lado e venha ao nosso templo Presbiteriano.

- Você deveria se filiar ao PT agora mesmo.

- Sou corinthiano e que se foda o resto!

E aí surge o desrespeito pela escolha da pessoa. Em nome de um ideal, as pessoas farejam, caçam e lançam a lança dentada, fria e larga na mente de outros. A caça não é para se alimentar, mas sim para garantir a supremacia de suas ideias, tais quais as tribos da Pedra Lascada faziam quando o medo tomava seus corpos. Os métodos mudam, os conflitos permanecem.

Da mesma forma que um flamenguista se dá o direito de agir feito um símio descontrolado a jogar a cadeira no chão e vituperar na frente de pessoas idosas que se incomodam com esse comportamento e achar que é normal só porque seu time está ganhando, um evangélico (ou ateu, ou cientista cético, o resultado é o mesmo) ataca, humilha e persegue com tochas e forcados uma pessoa só porque escolheu o Paganismo, Zoroastrismo, ou qualquer outra religião. Falando nisso, há um fato que está ocorrendo pelas ruas e em festas noturnas: O Proselitismo Homossexual.

É irônico e engraçado. Os gays foram perseguidos, rechaçados e exilados ao longo da história por líderes religiosos, políticos e porta-estandartes dos bons costumes (leia-se madames de meia idade, carolas de igrejas católicas e templos evangélicos mal comidas que aproveitam o tempo sexual pendente e o sublima em passeatas pela moral, família e Deus). Merecidamente, os homossexuais conquistaram direitos e uma relativa aceitação pela sociedade. O reverso da medalha, contudo, é intrigante: alguns passaram a furar seu espaço de segurança e tentam a “conversão” de sua pessoa, alegando que, com uma mãozinha (boba?), o maior dos machões pode se tornar uma crisálida esvoaçante, que todos nascem gays e precisam ser convertidos. Quer dizer que eu não tenho direito nem a ser heterossexual? Que troca de papéis é essa? Desde quando escolha sexual virou religião ou time de futebol?

Independente dessas vertentes, o Proselitismo possui três origens:

A Sobrevivência: O ser humano possui instinto de sobrevivência. Para tanto, quanto mais pessoas estão em seu grupo, mais chances terá de sobreviver e manter-se vivo através de seus genes. A mesma coisa ocorre com as ideias que, como um código de DNA, precisam de seguidores se o portador das mesmas quiser que sejam mantidas.

O Revanchismo: Se um ser humano passa por uma injustiça, mesmo que esta cesse e ele tenha seu merecido retorno, ele deseja a vingança, ele deseja a mesma punição ao grupo outrora dominante. O julgado se torna juiz e o juiz se torna o julgado.

O Desejo de Supremacia: Este é o mais repulsivo. A pessoa, por vontade, deseja impor às pessoas suas crenças e suas verdades, mesmo as de caráter demagógico, de forma bruta e cruel. Esse anseio sadomasoquista de dominação não passa de um engodo para manter sua fragilidade típica de amante de schoppenhauer sob disfarce, ou simplesmente é um viciado em jogos sociais.

Pode parecer clichê, mas a palavra de ordem é tolerância. Não apenas para ampliar nossos horizontes com novas ideias ou criar novas amizades e novos contatos, mas pelo simples direito de deixar as pessoas escolherem. Ser irredutível e condenar os outros só por não aceitar o que você acredita não é o certo. Certo é deixar a pose de verdade absoluta e aceitar outras visões sobre a vida. Certo é se resolver como uma ser humano próspero, completo e não vampirizar os outros que sejam. Certo é manter a mente aberta e, mesmo não deixando de defender seus pontos de vista, oferecer o respeito sempre.

Letras Convidadas: Repúdio à Revista Nova

2009 outubro 8

Há pessoas que anseiam por chances de participar de um projeto interessante: integrante de banda, um novo conceito de produto-serviço, até participar de blog.

Como eu não concebo negar uma chance à pessoas que querem mostrar empenho, peguei uma cadeira e a ofereci à Karen Esther Benzecry para iniciar um projeto por aqui. Gostei do que eu li e espero que vocês também gostem.

Thiago Machado

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Repúdio à Revista Nova

Karen Esther Benzecry

Como uma mulher razoavelmente bem-sucedida profissionalmente e extremamente feliz sexualmente, fico totalmente chocada cada vez que vejo a capa da revista Nova. Ela sempre mostra mulheres maravilhosas com seios semi-descobertos, maquiagem exagerada, cabelo “mamãe-passei-o-dia-no-salão” e milhões de alterações no photoshop. Junto com essa foto de mulher irreal, metade da capa é dedicada a técnicas sexuais, quarenta porcento a materiais sobre moda e beleza que prometem uma beleza igual a da felizarda da capa e dez porcento a questões pessoais, financeiras e profissionais.

É muito triste ver toda uma geração de mulheres jovens moldando-se (ou tentando moldar-se) por esses critérios: sexo como busca de autoafirmação, aparência como algo que as define para os outros e o trabalho como mais uma fonte de autoafirmação, e, obviamente dinheiro para financiar academia, tratamentos estéticos, cabeleireiros, roupas e baladas que tornam uma pessoa “alguém de verdade” nesse meio.

Uma vez não resisti à curiosidade e comprei uma que prometia não sei quantas dezenas de maneiras de melhorar a minha vida sexual. Foi absoluta e totalmente hilário: era algo do tipo “coloque o seu dedo a 3,5 cm exatos de tal lugar em um ângulo de 45º graus e faça uma leve pressão girando primeiro no sentido horário por três vezes e depois no sentido anti-horário”.  Sinceramente, parecia mais que estava aprendendo um novo poonse (o “kata” do tae kwon do) do que fazendo sexo.

Gostaria de levantar uma bandeira aqui: a das mulheres de verdade que desejam preencher sua vida (profissional, social, familiar e sexual) com alegria, e não padrões predeterminados. Elas existem e os homens parecem ser cegos a elas. Gostaria de convidar os as mulheres a olharem para dentro e não para fora em busca de um ideal de evolução e os homens a abrir os olhos e ignorar as expectativas predeterminadas de sucesso, beleza e diversão.